Arquivo paraNovembro, 2009

… buscando…

Buscar sempre, buscar ainda que precise encontrar, buscar mesmo que se tenha achado, buscar antes de ser buscado, estar pronto para buscar, buscar… uma busca… incessante.

Chagall e Allen nesse mês, juntamente com Jana, têm me feito um bem tão grande. Poder conferir toda a reviravolta que Woody Allen faz em nossa cabeça e depois ter sessões de escapismo com as belas gravuras de Marc Chagall é algo que preciso muito repetir. Além do mais, quando se tem uma companheira de “fuga” que topa toda e qualquer aventura!
Num desses filmes tão controversos que Woody fez, o que me deixou com um toque apaixonante foi A Rosa Púrpura do Cairo. Não vou comentar aqui neste post sobre o filme, mas a foto que ilustra o de hoje retrata bem como me senti nessa semana. Ginger Rogers e  Fred Astaire ( na sequência final do folhetim do Woody), dancing “on air”*.

Busca

chagall 3

Em busca de algo novo.
Em busca de vida nova.
Em busca de um novo amor.
Em busca de um novo eu.
Em busca de um futuro.
Em busca de uma nova forma.
chagall 2
Querendo sair dessa emboscada.
Querendo sair de mim.
Querendo sair de você.
Querendo seguir em frente.
Querendo te deixar pra trás.
Querendo me deixar pra trás.
Querendo deixar tudo pra trás.
Querendo respirar.
Querendo sair.
Querendosair.
Qusarendirro.
Sairquedoren.
Saquerendoir.
sair.
querendo.
ir.
Enfim….
Obs: um dos meus quadros preferidos de Marc Chagall

Todos dizem eu te amo

Desde pequeno estou acostumado a ouvir: “Que educado!” “Que inteligente!” “Que bonito!(?)” “Que sagaz!” “Que legal!” “Só você mesmo, né?!”
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Aprendi desde cedo a receber elogios. Sempre com um “muito obrigado” e um sorriso de orelha a orelha. E, embora muitos já tenham me dito “Eu te amo”, não os recebo como recebo os elogios. Na verdade, não gosto de forçar sorrisos de orelha a orelha, mas confesso que cometi erros respondendo “Eu também”. Deveria ter dito apenas “Obrigado”.
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“Eu te amo” caiu em desuso, e nem tento fazer alusão ao filme do Woody Allen que vi nessa semana. Porque, ao perceber o título “Todos dizem eu te amo”, retifico a minha certeza de que todos dizem mesmo, mas sem a mesma intenção. Porque acho que quando a coisa se torna costumeira, os verdadeiros sentimentos inerentes simplesmente somem. Assim como toda aquela magia de mandar cartas em detrimento ao scrapt do Orkut ou o email cheirando a CTRL+C / CTRL+V. Ou ao feliz aniversário restrito apenas aquele SMS que você recebe. Enfim, parece que as relações humanas se tornaram mais frias. E eu nem vou entrar no mérito das conversas instantâneas.
Mas falei disso tudo porque o Woody me despertou uma coisa que há tempos eu já estava desconfiando, que é essa coisa das palavras se tornarem tão usuais. E se fosse só isso, tudo bem. O problema é que o “Eu te amo” que eu mais gostei de ouvir, na verdade, era mais uma frase dita ao relento. Igualzinha a essas ai que se escrevem nas conversas instantâneas.
Ó, não vai achar que tudo o que escrevi também perdeu o seu significado por ser tão ususal. O bom mesmo é que as palavras têm sinônimos…